Quando estudamos a história do Brasil em seu período colonial, e particularmente quando o assunto são os indígenas, esbarramos na história dos jesuítas.
Mas, quem são eles?
Bom, os jesuítas eram, como ainda hoje são, membros da Companhia de Jesus, uma ordem religiosa católica. Também chamados de inacianos, formam um grupo de homens que tinham um ideal em comum: expandir a palavra de Deus, converter as pessoas ao catolicismo e, na concepção católica, salvar o maior número de almas para Deus.
Essa é a missão da ordem religiosa até os dias atuais. Contudo, muita coisa mudou desde que a Companhia de Jesus chegou ao Brasil em 1549. Nos próximos tópicos, então, vamos entender um pouco sobre a atuação dos jesuítas no Brasil Colonial.
Para isso, temos que voltar ao ano 1534, na Europa. Para sermos mais exatos foi na França que Inácio de Loyola se reuniu com um grupo de homens que tinham um propósito em comum: converter para a religião católica os turcos que viviam na Terra Santa. Hoje a Terra Santa é dividida entre Israel, Cisjordânia e Jordânia. Nesse território predominavam duas das maiores religiões do mundo: o judaísmo e islamismo. Portanto, na concepção dos europeus, os indivíduos que tinham práticas religiosas diferentes das católicas deveriam ser convertidos. Inácio de Loyola e seus companheiros estavam prontos para fazer este trabalho de conversão. O grupo reunido ganhou adeptos e cresceu cada vez mais. Contudo, a Igreja não aprovou a peregrinação. Assim, Inácio de Loyola escreveu a Fórmula do Instituto. Este era um documento que tinha como objetivo apresentar e criar a forma com que os jesuítas iriam agir em suas missões de conversão. Na época, o Santo padre da Igreja era o Papa Paulo III, o qual aprovou a Companhia de Jesus como ordem religiosa a serviço da Igreja Católica. Mas, colocou uma condição: os jesuítas deveriam atuar nas áreas que a Igreja indicasse.
Foi aí que a ideia de ir para a Terra Santa mudou. O Papa Paulo III tinha uma missão perfeita para os jesuítas: se aliar à Coroa portuguesa para expandir o catolicismo por toda Europa e por todas as terras que pertenciam à Portugal na África, Ásia e América.
D. João III, rei de Portugal entre 1521 e 1557, queria expandir o poder do seu reino e o catolicismo. Neste período, Portugal passava por um período de expansão dos seus domínios. Assim, o monarca lusitano viu possibilidades de cumprir seus objetivos com o apoio da Companhia de Jesus. Existiam outras ordens missionárias capazes de ajuda-lo, contudo, os jesuítas tinham características fundamentais para auxiliar na colonização e evangelização das possessões portuguesas. A ordem religiosa recém-criada tinha uma forma particular de agir onde chegava: atuava na assistência espiritual, mas também intervinha nas estruturas de poder locais para converter as pessoas ao catolicismo. Isso, sem dúvida, auxiliava no efetivo processo de colonização, além de propagação do Cristianismo. No mapa a seguir, podemos ver que as rotas levavam aos territórios que pertenciam a Coroa Portuguesa no período. Os jesuítas estabeleceram missões em vários desses lugares do vasto império português:

Imagem1: As rotas indicam paradas em territórios que pertenciam à Coroa Portuguesa, no século XVI. Eram nestes lugares que os jesuítas estavam autolizado a criarem suas missões. Fonte: MARQUES, A. Pelos caminhos da história. Ensino médio. Curitiba: Positivo, 2006, p. 86.
Desse modo, a Companhia de Jesus se associou à Coroa portuguesa e passou a ter, até 1580, a exclusividade para evangelizar nas posses de Portugal. Foi nesse cenário que a ordem religiosa chegou ao Brasil em 31 de março de 1549, na povoação de Pereira, Vila Velha.
Afinal, o que os padres fizeram e o que representou, para a sociedade colonial, a presença dos jesuítas?